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 A Negra
 

A jovem negra esfrega panelas de barro quando ouve uma voz do interior da casa:

- Luana, venha preparar meu banho.

Era Mariana, mocinha de quem Luana era mucama e a maior distração era  tortura-la.

Para se livrar de Mariana, Luana sempre dava um jeito de ir ajudar na cozinha, aonde tinha a companhia das outras negras.

Luana está caminhando em direção à Mariana quando é surpreendida por um tapa na face:

- A água estaba fria, sua peste!

Luana sabia que não adiantava argumentar, já fora açoitada várias vezes por capricho de Mariana. Seu belo corpo, tantas vezes violado por seu senhor atraía os olhares dos homens, causando uma fúria invejosa em Mariana, que, apesar dos esforços, não era bela.

As feias vestes de Luana não escondiam suas formas arredondadas, enquanto Mariana era magra e sem forma, a negra colocava papelotes nos seus ralos cabelos na  tentativa de embeleza-los.
Mariana já estava em idade de casar e tinha interesse no sócio de seu pai, viúvo ainda jovem. Como receberiam a visita do rapaz ao anoitecer, Mariana passou a tarde se enfeitando. Durante a visita o rapaz se mostrou interessado somente em tratar de negócios com o pai, dando pouca atenção à moça:

- Já está na hora de você se recolher, Mariana. Ordena o pai. Mariana se despede contrariada.

A moça vai para o quarto e fica perto da porta ouvindo a conversa dos homens.

Luana vai até a sala servir um licor, quando sai, o visitante faz um comentário:

- Como é bonita esta negra.

Os dois homens riem. Aquilo é demais para Mariana, que só pensa em se vingar.

Pela manhã, Mariana vai até a cozinha e vê uma chaleira de água fervente, sem pensar, ela pega a chaleira e despeja a água sobre Luana, que descascava batatas.